NA RODA NINGUÉM SE ESCONDE

um olhar inclusivo - TEA

Autores

  • Gideon Almeida dos Santos Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Palavras-chave:

Pôster científico

Resumo

“Bom-dia, vai começar a cantoria! Bom-dia, a turma III já chegou! Bom-dia, 1, 2, 3 e já”. Toda roda de música começa com uma cantoria. Iniciar com canção; buscar envolver toda a turma com gestos, falas, melodias e instrumentos; e o olhar minucioso a cada especificidade presente – bem-vindo (a) à Roda de Música. Compreendendo que o ambiente da Educação Infantil (EI) se permeia através da interação do eu e o outro, uma instituição de ensino se torna inclusiva quando reconhece a diversidade presente e visa atendê-los com uma prática pedagógica eficiente e capaz de responder às necessidades educacionais deles (RAMBO, LEONARDO, 2012). Justificativa: relatar sobre as práticas pedagógicas das Rodas de Música realizada no Núcleo de Educação da Infância – NEI- CAp/UFRN, em uma turma da EI, onde serão apresentadas observações e abordagens inclusivas ante um educando com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estando como educador musical. De tal modo, falar a respeito do TEA é necessário mencionar que não lidamos com uma doença, e sim, com uma condição do educando, tendo em vista o lidar com três áreas específicas comprometidas do indivíduo: imaginação, socialização e comunicação, constituindo a Tríade de Wing (LOURO, 2014, p. 344; SAMPAIO e FREITAS, 2011, p. 164). Ressaltamos também, com o direito assegurado para a inclusão de educandos com necessidades educacionais especiais (NEE) na Educação Básica oriunda da Lei 13.146/2015, e, com a homologação da Lei 13.769/2008, onde o ensino da música passou a ser obrigatório, e este fora institucionalizado no NEI-CAp/UFRN, ante as ações propostas enquanto educador este relato possui a oportunidade de evidenciar situações e atitudes vivenciadas. Nesse sentido, para a área de educação musical será a oportunidade de desbravar este campo de conhecimento em crescente observação. Reflexões e ações: de volta a Roda de Música - estas são sempre realizada no chão da sala de música se formando um círculo onde todos se veem - o primeiro ato a ser realizado acontece na chegada da turma, sendo o momento de acolhimento, sabendo-se que toda a turma chega agitada pelo percurso da vinda à sala, assim será necessário demonstrar empatia e afetividade a todos. É notória a chegada da criança autista para participar da roda, nesse sentido a primeira atividade em roda será desenvolver no educando o envolvimento afetivo, importante para o desenvolvimento de habilidades cognitivas (BREINBAUER, 2006, apud RIBEIRO; CARDOSO, 2014, p. 401). Igualmente, uma das áreas que devemos explorar e reestruturar diversas abordagens são nos momentos de socialização. O TEA proporciona em muitos casos a dificuldade da socialização, assim a abordagem a ser utilizada requer a sensibilidade de não forçar a participação do mesmo, assim, trazer músicas com gestos e falas à roda conduziu ao interesse deste educando. Nas Rodas de Músicas regidas fazemos o uso da imitação, como por exemplo: eu falo vocês repetem [...]. Com o movimento coordenado pelo educador toda a turma passa a cumprir a ação e, a turma motiva o outro a se mover e se fazer presente, sendo esta uma segunda abordagem que visa alcança-lo.  Considerações: conceder um olhar significativo aos movimentos, gestos, falas e brincadeiras nas rodas de música poderá proporcionar uma interação consciente e prazerosa do fazer musical a todos. Esta abordagem musical concedeu ao educando com TEA respeito e confiança quanto a sua singularidade e desenvolvimento. Nesse sentido, a afetiva participação do mesmo fora crescente, tanto no fazer musical quanto na fala, assim conquistando parte do seu mundo e, este se interessou pelo mundo proporcionado pela roda de música.

Referências

BRASIL. Lei no 11.769, 18 de agosto de 2008. Brasília, 2008. Disponível em: <http://acaoeducativa.org.br/portal> Acesso em: 22 Abril. 2018.

_____. Lei no 13.146, 06 de julho de 2015. Brasília, 2015. Disponível em: <http://acaoeducativa.org.br/portal> Acesso em: 22 Abril. 2018.

LOURO, Viviane. Autismo, Música e Teoria da Mente. Anais. SIMCAM X, Campinas, 2014, p. 343- 350.

MOSCA, Maristela de Oliveira. Currículo como Jazz: Perspectivas inclusivas e interdisciplinares na construção curricular do ensino de música em uma escola de educação básica brasileira. BUM - Teses de Doutoramento. Dez, 2018.

RAMBO, C. P.; LEONARDO, N. S. T. A inclusão escolar no ensino superior: um longo caminho a trilhar. In RIBEIRO, M. J. L. (org.). Educação especial e inclusiva: teoria e prática sobre o atendimento à pessoa com necessidades especiais. Maringá: EDUEM, 2012.

RIBEIRO, L.C.; CARDOSO, A.A. Abordagem Floortime no tratamento da criança autista: possibilidades de uso pelo terapeuta ocupacional. Cad. Ter. Ocup. UFSCar, São Carlos, v. 22, n. 2, p. 399-408, 2014.

SAMPAIO, Silmaia; FREITAS, Ivana Braga de. (org.). Transtornos e dificuldades da aprendizagem: entendendo melhor os alunos com necessidades educacionais especiais. Rio de Janeiro. Walk Editora, 2011.

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Publicado

01-06-2019

Como Citar

Santos, G. A. dos . (2019). NA RODA NINGUÉM SE ESCONDE: um olhar inclusivo - TEA. Anais Do Encontro Sobre Música E Inclusão, 283–285. Recuperado de https://ojs.musica.ufrn.br/emi/article/view/33

Edição

Seção

Pôster Científico

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