A INCLUSÃO NO ENSINO E APRENDIZAGEM DE METODOLOGIA DA PESQUISA

um relato de experiências em um minicurso na UFRN

Autores

  • Tamar Genz Gaulke Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
  • Ítalo Soares da Silva Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
  • Fernanda Gomes de Amorim Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  • Júlio César Ferreira Gomes Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
  • Yanaêh Vasconcelos Mota Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
  • Júlio César da Silva Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
  • Carlos Antonio Santos Ribeiro Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
  • Carlos Augusto Jerônimo Alves Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
  • Migdael Fernandes de Souza Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
  • Gideon Almeida dos Santos Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
  • Ana Clara da Silva Ponciano Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Palavras-chave:

Inclusão de pessoas com deficiência visual, Ensino e aprendizagem de metodologia da pesquisa, Estratégias de adaptação de ensino, Educação Musical Inclusiva

Resumo

Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência vivenciada por ministrantes de um minicurso sobre metodologia da pesquisa em música na Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e por um aluno com Deficiência Visual, matriculado no segundo semestre do Curso de Licenciatura em Música da mesma instituição (à época), no minicurso ofertado. Brevemente, buscamos ressaltar estratégias de adaptações de materiais bem como as práticas inclusivas utilizadas ao longo do minicurso. 

Considerando a emergência das questões relativas às práticas de pesquisa na área de Música, o minicurso de Metodologia da Pesquisa em Música realizado entre os dias 6 de novembro e 4 de dezembro de 2018 veio atender à demanda e aos desafios encontrados durante o desenvolvimento de pesquisas e trabalhos científicos advindos da comunidade acadêmica. O minicurso, sob a condução de integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisa em Música da UFRN (GRUMUS) - certificado pelo CNPq - teve a duração de 4 encontros que ocorriam das 20h30m às 21h50m, incluindo uma atividade final à distância.

Conforme o segundo inciso da Lei 13.146 de 06 de Julho de 2015, que institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência, atribui-se ao poder público:

 

assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar [...] aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras [...] (BRASIL, 2015, Art, 28).

 

Para os ministrantes, adaptar o material para o ensino e aprendizagem da pesquisa científica, tornou-se um grande desafio, pois a formatação de trabalhos e as normas da ABNT foram elencadas como as principais dificuldades do aluno com Deficiência Visual, motivando a sua inscrição no minicurso. Buscamos abordar esses assuntos ao longo do minicurso, no entanto, o curto prazo tornou a aprendizagem e a prática de pesquisa pouco efetiva.

Ao colhermos depoimento do aluno, posteriormente à participação no minicurso, conseguimos perceber o quanto as normas e o desenvolvimento da pesquisa ainda são desafios interligados a questões visuais. As normas referentes à formatação, a pesquisa em periódicos e anais de eventos, são indicados pelo aluno como algo que deve fazer parte de um maior treinamento e experimentação para que a pessoas com deficiente visual possa, autonomamente, construir um trabalho científico:

 

Ele [o minicurso] contribuiu sim, pois deu novas possibilidades, por [eu] não saber como pesquisar, então mostrando isso já deu mais uma luz. Embora eu tenha esquecido, porque [...] eu não tive como praticar, entendeu? Porque, pra mim, eu não consigo aprender só com você dizendo ah, faça isso… Você tem que fazer aquilo. Eu tenho que, por exemplo, pegar e você dizer, faça assim e eu estar com um computador na hora, entendeu? Pra eu fazer e pesquisar também. Porque você deu demonstração, né, lá visualmente, o pessoal viu lá e tal, só que como é uma coisa bem visual, pra mim, ficou já um pouco a desejar (Aluno com Deficiência Visual, abril de 2019).


Uma das estratégias percebidas pelos ministrantes com potencial para atenuar essas dificuldades é uma maior aproximação ao aluno, possibilitando compreender previamente os seus processos de estudo. Como indica Finck (2016, p. 32), “[...] ao se trabalhar com os alunos com deficiências em sala de aula, é importante não seguir apenas o texto dos documentos normativos, mas, fundamentalmente, é preciso conhecer esse aluno”. Reconhecemos, no entanto, que algumas informações sobre o aluno não puderam ser conhecidas a tempo e levadas em consideração durante a adaptação do material, como, por exemplo, a limitação na leitura dos textos e slides através do uso do leitor de tela, necessário para o cumprimento de exercícios.

Referências

BRASIL. Lei Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF, 2015.

FINCK, R. Inclusão de alunos com deficiência na sala de aula: tendências de pesquisa e impactos na formação do professor de música. Revista da ABEM, v. 24, p. 23-35, 2016.

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Publicado

01-06-2019

Como Citar

Gaulke, T. G. ., Silva, Ítalo S. da ., Amorim, F. G. de ., Gomes, J. C. F. ., Mota, Y. V. ., Silva, J. C. da ., Ribeiro, C. A. S. ., Alves, C. A. J. ., Souza, M. F. de ., Santos, G. A. dos ., & Ponciano, A. C. da S. . (2019). A INCLUSÃO NO ENSINO E APRENDIZAGEM DE METODOLOGIA DA PESQUISA: um relato de experiências em um minicurso na UFRN. Anais Do Encontro Sobre Música E Inclusão, 266–269. Recuperado de https://ojs.musica.ufrn.br/emi/article/view/28

Edição

Seção

Pôster Científico