AULAS DE MÚSICA PARA PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA - TEA:
um relato de experiência sobre o ensino remoto síncrono
Palavras-chave:
autismo, TEA, educação musical, ensino remoto, inclusãoResumo
O Som Azul é um projeto de extensão integrante do SEMBRAIN (Setor de Musicografia Braille e Apoio à Inclusão), da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN) e destinado à musicalização de pessoas com autismo. Inicialmente, o projeto contemplava as faixas etárias a partir dos 6 anos de idade. As atividades eram todas realizadas de modo presencial na EMUFRN.
Em decorrência da pandemia do COVID-19 e da suspensão das atividades presenciais, fez-se necessário nos adaptarmos ao ensino remoto no ano de 2020. A coordenadora do projeto, professora Liana Monteiro, e os monitores entraram em um processo de planejamento e adaptação de recursos para que o ensino de música continuasse sendo desenvolvido com efetividade. Assim sendo, decidimos utilizar o Google Meet, plataforma de videochamadas, para a ministração de nossas aulas.
Uma das modificações necessárias diz respeito à faixa etária mínima para participação no projeto. Como trabalhamos com pessoas dentro de qualquer um dos níveis de autismo (leve, moderado e severo), considerando que alguns dos estudantes necessitam de nível de suporte 3 e tendo em vista as limitações e dificuldades da realização do ensino de música de modo síncrono, não seria possível atender, de maneira satisfatória, crianças pequenas com TEA. Além disso, uma criança pequena não aproveitaria o ambiente virtual de aprendizagem efetivamente e, por essa razão, a idade mínima para participação no projeto passou a ser 12 anos. Segundo Cunha (2011, p. 62)
O que mais impede o aprendizado do autista na vida cotidiana é o déficit de atenção à fala de alguém ou aos processos de aprendizagem que estão ao seu redor, pelas dificuldades comunicativas, e não a existência de algum problema cognitivo.
Tendo em vista que os educandos possuem graus diversos de autismo e a necessidade de grupos mais reduzidos nas salas virtuais de aula, dividimos os estudantes em duas turmas de acordo com o nível de suporte requerido. Desse modo, temos a possibilidade de promover interações individuais e perceber as principais necessidades e dificuldades frente ao conteúdo da aula.
Referências
CUNHA, Eugênio. Autismo e inclusão: psicopedagogia práticas educativas na escola e na família. 3. Ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011.
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