ACESSIBILIDADE E FORMAÇÃO DOCENTE
um curso de Licenciatura em Música diante a primeira pessoa com deficiência visual ingressa
Palavras-chave:
Inclusão, Musicografia Braille, Formação docenteResumo
Conforme o artigo 25 do decreto nº 9.099, de 18 de julho de 2017, “o Ministério da Educação adotará mecanismos para promoção da acessibilidade no PNLD, destinados aos estudantes e aos professores com deficiência”. Contudo, a escassez de materiais pedagógicos especializados para estudantes com deficiência visual é notória, principalmente quando elencamos os materiais voltados ao ensino de música. O presente trabalho tem por objetivo relatar essa realidade no setor de Acessibilidade da Universidade Federal do Cariri (UFCA) em relação a inclusão de um aluno com deficiência visual no curso de Música/UFCA. Como objetivos específicos, obteve-se: Verificar as estratégias utilizadas no setor de acessibilidade para produção de materiais e perceber de que forma o curso de Música/UFCA tem se adaptado ao atendimento do aluno com deficiência visual. O departamento do curso de Música, localizado em Juazeiro do Norte-CE, possui 9 anos de pleno exercício e não havia recebido ainda nenhum aluno com deficiência visual. A partir deste contexto, novas medidas passaram a vigorar no curso em questão. Assim, novas abordagens de ensino precisaram ser reelaboradas, na perspectiva de preparar o aluno, tanto para a performance musical quanto para atuar como educador musical. O setor de acessibilidade tem por função, dentre inúmeras tarefas, a conversão de materiais didáticos para pessoas com deficiência visual. Contudo, o desafio para o setor tem sido a conversão dos materiais relativos à notação musical, como a partitura e seus inúmeros elementos. Portanto, este trabalho trata-se de uma pesquisa exploratória, do tipo estudo de caso com abordagem qualitativa. Para a coleta de dados, foram desenvolvidos questionários em que participaram o vice-coordenador e docente do curso de Música/UFCA, e a coordenadora da Secretaria de Acessibilidade/UFCA. Segundo a representante do setor de Acessibilidade, com o ingresso desse aluno “é necessário mudanças e adaptações para que a permanência do discente seja uma realidade, dentre elas – destaca – o trabalho dos professores em estarem buscando adaptações, sejam de materiais educacionais ou metodológicos que venham privilegiar os aspectos auditivos, táteis e cinestésicos, desenvolvendo a percepção musical do discente com deficiência visual”. Em concordância, o docente do curso destaca a “necessidade de novas metodologias de ensino, adaptações de diversos materiais didáticos e adequação do planejamento e estudos para adaptação de materiais que facilitem o processo de aprendizagem”. Como dito anteriormente, essa (re)articulação não ocorre somente no departamento de música, mas também no próprio departamento de Acessibilidade, pois a linguagem musical difere-se muito do que rotineiramente se exigia do trabalho dos profissionais, que se dedicavam, quase que exclusivamente, à tradução de textos escritos. Discussões acerca de alguns desafios enfrentados, como a falta de profissional capacitado na área da musicografia braille, tem sido o principal assunto tratado, para isso, o setor passou a contar com um bolsista do curso de Música, que auxilia na codificação da notação musical. Apesar do setor já atender demandas de dois alunos com deficiência visual em outros cursos, o assunto “musicografia braille” continua sendo um desafio, tendo em vista a ausência de qualificação voltada a este conteúdo específico. Com a falta de materiais de fácil compreensão e de capacitação profissional, o software MusiBraille tem sido muito utilizado para a transcrição dos arquivos utilizados nas disciplinas do curso. Mesmo que o setor tenha a disposição de funcionários braillistas, que já deram início ao estudo da musicografia braille, os materiais relacionados a escrita da partitura braille caminham, ainda, a passos lentos. Conclui-se, portanto, que esta pesquisa nos faz refletir sobre a importância do estudo referente a escrita Braille e suas demais subáreas, resultando assim numa formação que contemple a verdadeira inclusão, em sua totalidade.
Referências
BRASIL. Decreto nº 9.099, de 18 de julho de 2017. Programa Nacional do Livro e do Material Didático. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Decreto/D9099.htm. Acesso em 19/04/19.
Entrevista com funcionária do setor de Acessibilidade. Entrevista realizada no dia 21/04/2019.
Entrevista com professor do curso de Música da UFCA. Entrevista realizada no dia 19/04/2019.
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